Curadoria

À MARGEM

Em sua sétima edição, o Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura apresenta em cada uma das mesas variações do mesmo: “À margem”. Volta-se a programação, em moto-contínuo, para narrativas que estão fora do arco de visão, passam despercebidas, estão esquecidas ou silenciadas, desvãos e sombras de um país e de um tempo que vão se revelar na obra de ficcionistas, historiadores, repórteres, letristas, cineastas.

Esse grande tema teve sua lógica delimitação entre acontecimentos que movimentam a vida cultural brasileira nos últimos e próximos meses. A Copa é apenas um dos eventos que põem a nação em evidência e em discussão. Em capitais do mundo, feiras literárias que homenageiam o Brasil impõem a curadores, editores e agentes a difícil tarefa de estabelecer o que nos representa no mercado internacional. O dissenso não tem sido pequeno, descobrem-se ângulos insuspeitados entre as divergências e reivindicações. Não por último: parte dos debates ancora-se no presente, outra parte, no passado recente, a ditadura e a redemocratização, na passagem dos 50 anos do golpe.

Autores de ficção e não ficção vão contar como fazem para observar as margens de um país e realizar da periferia do mundo uma arte que se projeta internacionalmente – o “Esquenta Mantiqueira” convida a capital paulista para o festival. Em São Francisco Xavier, os debates abarcam a diversidade cultural brasileira em autores e seus livros, assim como os aspectos inexplorados na historiografia dos anos de arbítrio. Gêneros que não costumam ocupar lugar de peso nas festas literárias, a literatura infantil e a canção popular são valorizados na programação deste ano.

  Ficcionistas de várias gerações vão falar sobre a dificuldade de estrear, do caminho oferecido pelas editoras independentes, de temas difíceis para a literatura, como a morte ou… o futebol! – na pátria de chuteiras, poucos ficcionistas enfrentaram o assunto. Também tratarão de crítica e técnica, da ousadia louvável e da necessária resignação, da disciplina contra a procrastinação, de uma renovação que independe de faixa etária mas de vocação e escolhas. Seja bem-vindo!

Josélia Aguiar
Curadora do VII Festival da Mantiqueira
 

Joselia Aguiar é jornalista, editora e curadora de literatura e história. Estudou jornalismo e letras, é mestre e doutoranda em história (USP). Começou sua trajetória no Museu de Arte Moderna da Bahia, na coordenação da comunicação. Na Folha de S. Paulo, exerceu os cargos de repórter, redatora, colunista de livros e correspondente baseada em Londres para toda a Europa. Editou a revista “EntreLivros”, de livros, literatura e humanidades. Está concluindo, para o selo Três Estrelas, do Grupo Folha, seu primeiro livro – a biografia de Jorge Amado.

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